{"id":11873,"date":"2026-06-10T21:46:49","date_gmt":"2026-06-11T00:46:49","guid":{"rendered":"http:\/\/rmts.com.br\/wp-01\/no-web-summit-rio-entendi-que-a-pergunta-sobre-ia-finalmente-mudou\/"},"modified":"2026-06-10T21:46:49","modified_gmt":"2026-06-11T00:46:49","slug":"no-web-summit-rio-entendi-que-a-pergunta-sobre-ia-finalmente-mudou","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rmts.com.br\/wp-01\/no-web-summit-rio-entendi-que-a-pergunta-sobre-ia-finalmente-mudou\/","title":{"rendered":"No Web Summit Rio, entendi que a pergunta sobre IA finalmente mudou"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div id=\"\"><\/p>\n<p class=\"zd-dek\">Cheguei pela terceira vez ao maior evento de tecnologia da Am\u00e9rica Latina. O que mudou n\u00e3o foi a intelig\u00eancia artificial. Foi a pergunta que fazemos sobre ela.<\/p>\n<p class=\"zd-meta\">Por <strong>Philipe Monteiro Cardoso<\/strong><\/p>\n<hr class=\"zd-rule\"\/>\n<h2>O Rio no centro do mapa<\/h2>\n<p class=\"zd-lead\">Voltei ao Web Summit Rio, e essa \u00e9 a terceira vez que acompanho o evento de perto. O que mais me marca n\u00e3o \u00e9 uma palestra espec\u00edfica nem um an\u00fancio bilion\u00e1rio de investimento. \u00c9 a sensa\u00e7\u00e3o, repetida a cada ano, de ver o Rio de Janeiro ocupar um espa\u00e7o que durante muito tempo pareceu reservado a outras cidades. Em 2026 o evento chega \u00e0 quarta edi\u00e7\u00e3o, e por alguns dias a cidade muda de ritmo. Gente do mundo inteiro desembarca aqui para conversar sobre o que vem pela frente, e essas conversas acontecem tanto nos palcos quanto nas filas do caf\u00e9, nos corredores, nos encontros que se estendem noite adentro.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o Rio virou um ponto de encontro para quem pensa o futuro. H\u00e1 fundadores, investidores, pesquisadores e curiosos discutindo neg\u00f3cios, tecnologia e novas formas de trabalhar no mesmo lugar, ao mesmo tempo. Ver isso acontecer de perto, tr\u00eas anos seguidos, tem um peso particular para quem nasceu e cresceu olhando para essa cidade.<\/p>\n<h2>A palavra do ano tem nome<\/h2>\n<p>Se eu tivesse que resumir o evento em uma \u00fanica express\u00e3o, seria f\u00e1cil: intelig\u00eancia artificial. Ela aparece em quase todo painel, em quase toda conversa de corredor, em quase todo pitch. Mas o que me chama aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a repeti\u00e7\u00e3o do termo. \u00c9 perceber o quanto a IA j\u00e1 entrou na rotina de profissionais que, at\u00e9 pouco tempo, n\u00e3o se viam como gente de tecnologia. M\u00e9dicos, professores, advogados, contadores, gente do marketing, do design, da log\u00edstica. A mudan\u00e7a deixou de ser promessa para o futuro. Ela j\u00e1 est\u00e1 em curso, dentro do trabalho real das pessoas.<\/p>\n<h2>J\u00e1 vivi outras viradas como essa<\/h2>\n<p>Quem \u00e9 da minha gera\u00e7\u00e3o talvez lembre. Houve um tempo em que escrever um documento significava sentar diante de uma m\u00e1quina de escrever e torcer para n\u00e3o errar a \u00faltima linha. Depois veio o computador, e o erro deixou de ser uma trag\u00e9dia. Pesquisar, por muitos anos, era ir at\u00e9 a estante, abrir um livro, folhear, anotar \u00e0 m\u00e3o. A\u00ed chegou a internet, e o mundo inteiro coube numa tela.<\/p>\n<p>Ontem, a m\u00e1quina de escrever. Depois, o computador. Ent\u00e3o, a internet. Agora, a intelig\u00eancia artificial. Cada salto assustou no come\u00e7o e, no fim, ampliou o que consegu\u00edamos criar, produzir e transformar.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial \u00e9 o cap\u00edtulo seguinte dessa mesma hist\u00f3ria. Cada uma dessas viradas assustou um pouco quem estava no meio do caminho, e cada uma delas, no fim, ampliou aquilo que consegu\u00edamos fazer. A IA n\u00e3o foge a essa l\u00f3gica. Ela \u00e9 grande, \u00e9 r\u00e1pida e mexe com praticamente todo mundo. Mas n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que o ch\u00e3o se move debaixo dos nossos p\u00e9s, e isso me deixa um pouco mais tranquilo do que ansioso.<\/p>\n<h2>De onde eu venho<\/h2>\n<p>Algumas pessoas me conhecem pelo trabalho que fa\u00e7o hoje, ligado a direito, tecnologia, prote\u00e7\u00e3o de dados e inova\u00e7\u00e3o. Outras conhecem menos a minha origem. Fiz o ensino m\u00e9dio t\u00e9cnico numa escola da FAETEC, a rede p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Rio, e me formei t\u00e9cnico em processamento de dados. Tecnologia nunca foi, para mim, assunto de adulto. Foi paix\u00e3o de adolescente.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 mexia com podcast numa \u00e9poca em que quase ningu\u00e9m falava de podcast no Brasil, muito antes de existirem nomes como Flow ou Podpah. Em 2011 estive na Campus Party, daquelas em que voc\u00ea dormia pouco e voltava para casa com a cabe\u00e7a fervilhando de ideia. Olhando para tr\u00e1s, percebo que quase sempre estive por perto quando uma nova tecnologia come\u00e7ava a fazer barulho. Talvez por isso eu encare a IA com mais curiosidade do que receio.<\/p>\n<h2>Quando a tecnologia encontra o direito<\/h2>\n<p>Uso tecnologia na pr\u00e1tica jur\u00eddica h\u00e1 muitos anos. Isso, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 novidade na minha rotina. O que mudou, e mudou de um jeito que me d\u00e1 orgulho, \u00e9 que hoje consigo tratar tecnologia no direito n\u00e3o s\u00f3 como ferramenta de trabalho, mas como tema de estudo, de ensino e de reflex\u00e3o. Levo essas discuss\u00f5es para a sala de aula, para conversas com outros profissionais, para textos como este. A tecnologia deixou de ser s\u00f3 uma forma de resolver tarefas. Virou tamb\u00e9m um campo para pensar e compartilhar com quem est\u00e1 chegando agora.<\/p>\n<h2>A pergunta finalmente mudou<\/h2>\n<p>Aqui est\u00e1 o que considero o maior aprendizado desta edi\u00e7\u00e3o. Durante muito tempo, a conversa sobre IA girou em torno de uma pergunta meio assustada: ela vai me substituir? Vai acabar com a minha profiss\u00e3o? Vai tirar empregos?<\/p>\n<p>Essa pergunta perdeu for\u00e7a. No lugar dela surgiu outra, bem mais \u00fatil: o quanto voc\u00ea consegue produzir usando intelig\u00eancia artificial? Quanta efici\u00eancia voc\u00ea entrega? Quanto trabalho repetitivo voc\u00ea deixa de carregar nas costas? E, principalmente, quanto tempo voc\u00ea libera para aquilo que m\u00e1quina nenhuma faz bem, como pensar com profundidade, criar, decidir e cuidar da rela\u00e7\u00e3o com as pessoas?<\/p>\n<p class=\"zd-pull\">A primeira paralisa. A segunda coloca voc\u00ea em movimento.<\/p>\n<h2>Efici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o fim da linha, \u00e9 o come\u00e7o<\/h2>\n<p>Vale dizer com clareza, porque esse ponto costuma se perder: ganhar tempo com IA n\u00e3o \u00e9 trabalhar menos por trabalhar menos. \u00c9 redirecionar energia. Quando uma tarefa repetitiva sai das suas m\u00e3os, sobra espa\u00e7o para aquilo que realmente exige um ser humano. No meu dia a dia, vejo isso o tempo todo. A parte mec\u00e2nica acelera, e a parte que pede an\u00e1lise, sensibilidade e julgamento passa a receber a aten\u00e7\u00e3o que merece.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que mora o ponto que mais me importa. A tecnologia pode assumir o repetitivo, mas a humanidade continua sendo nossa. A escuta, o cuidado com quem est\u00e1 do outro lado, a leitura de um contexto que nenhum modelo captura por inteiro, nada disso saiu de cena. Pelo contr\u00e1rio. Quanto mais a m\u00e1quina d\u00e1 conta do operacional, mais valioso fica aquilo que s\u00f3 n\u00f3s conseguimos oferecer.<\/p>\n<h2>Evoluir faz parte<\/h2>\n<p>N\u00e3o enxergo a intelig\u00eancia artificial como inimiga. Ela n\u00e3o \u00e9 algo contra o que precisamos lutar, e sim algo que precisamos aprender a usar bem, sem abrir m\u00e3o de quem somos. Isso exige adapta\u00e7\u00e3o, e adapta\u00e7\u00e3o d\u00e1 trabalho. Sempre deu, em todas as viradas anteriores.<\/p>\n<p>Mas tudo na vida evolui. As ferramentas mudam, os m\u00e9todos mudam, e quem trabalha com eles tamb\u00e9m precisa mudar. N\u00e3o se trata de correr atr\u00e1s de toda novidade s\u00f3 porque ela \u00e9 nova, nem de abra\u00e7ar a tecnologia sem nenhum senso cr\u00edtico. Trata-se de acompanhar o movimento com os olhos abertos, aproveitando o que ela tem de bom e mantendo a cabe\u00e7a no lugar.<\/p>\n<p>Sa\u00ed desta edi\u00e7\u00e3o do Web Summit Rio com uma convic\u00e7\u00e3o simples. O profissional que vai se destacar nos pr\u00f3ximos anos n\u00e3o \u00e9 o que tem medo da IA, nem o que entrega a ela tudo sem pensar. \u00c9 quem aprende a trabalhar ao lado dela: usando a m\u00e1quina para ganhar tempo, e usando esse tempo para ser mais humano. A pergunta mudou. Quem entender isso primeiro vai sair na frente.<\/p>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/zoomdigital.com.br\/no-web-summit-rio-entendi-que-a-pergunta-sobre-ia-finalmente-mudou\/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=no-web-summit-rio-entendi-que-a-pergunta-sobre-ia-finalmente-mudou\">Fonte <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cheguei pela terceira vez ao maior evento de tecnologia da Am\u00e9rica Latina. 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